domingo, 1 de janeiro de 2012





Caixinha de Surpresa
(Escrito em 25/02/2008 )

Encontrei no caminho que mais amo trilhar uma caixinha de surpresa.
Numa embalagem encantadora. Que miragem! Que viagem!
Quem seria capaz de adivinhar o que há no seu conteúdo?

Seria frágil? Seria inquebrável?
Leve ou pesado?

A tentação era de forçar uma abertura... Mas e aquela embalagem tão linda?
Não. Não queria perdê-la.

Com toda calma (quase toda)... No momento exato (julgava eu)...
Uma fenda aconteceu!
Sem prejudicar a embalagem que eu cuidara com tanto carinho, eu pude conhecer parte do seu conteúdo.
Que surpresa! Quanta beleza!
Não... não era o que eu esperava, mas muito mais do que eu precisava.

Que surpresa! Quanta beleza!
Como é sábia a natureza ao ocultar com toda sutileza,
Como pedra preciosa a sua maior riqueza.

Cada um de nós, é como uma caixinha de surpresa.
Muitas vezes nos surpreendemos com as pessoas que nos cercam.
Quando alguém revela-nos um grande segredo,
tirado lá do fundo da sua “caixinha”,
temos a oportunidade de perceber...
que nossa sabedoria é muito menor do que pensávamos.

Os olhos são espelhos da alma? São?
Por que então não conseguimos decifrar os grandes segredos
com um simples olhar?

Porque estão escondidos no fundo da “caixinha” de cada um.
Surpresas agradáveis e outras nem tanto.
Todas camufladas das mais diversas formas.

Sábia era a minha mãe Maria que dizia:
“_ Para dizer que se conhece alguém, primeiro tem que comer um saco de sal, sob o
mesmo teto”.

O saco de sal ao qual ela se referia, não era obviamente o de 1 kg e isso requer um
bom tempo. Mesmo assim, ainda corremos o risco de sermos surpreendidos com r
revelações capazes de nos tirar o chão.

O que temos de melhor e de pior se esconde em nossas entranhas até de nós mesmos.

Se assim não fosse, não nos surpreenderíamos tanto com o que somos capazes ou incapazes
de fazer.
Não ficaríamos tão perplexos diante da nudez da verdade de alguém.
Perplexidade gerada muitas vezes pelo preconceito.

Ousamos imaginar a essência das pessoas baseado no que esperamos delas.
Por isso nos surpreendemos quando não correspondem às nossas expectativas.

Decepções causadas por darmo-nos o direito de moldarmos mentalmente um ser que só
existe daquela maneira no nosso imaginário,que cria personagens capazes de nos amar e
odiar aos extremos.

Muito mais simples seria estarmos desarmados de deduções geradas pela nossa tão f
falha lógica. Tanto que por ela, nem a nós mesmos conseguimos conhecer minuciosamente.
Sem perceber abrimos nossa “caixinha” e do fundo “pula” a mais inédita reação.
Muito temos que aprender ainda sobre nós mesmos.
Bom seria se não precisássemos esconder consciente ou inconscientemente, nossas emoções.
Se conseguíssemos dizer tudo o que pensamos sem medo.
Se conseguíssemos ouvir um não com a tranqüilidade de quem reconhece o direito de quem o
diz. Se nos déssemos o direito de dizer não, quando não houvesse a menor condição de um s
sim ser assumido.
No “vira revira” da “caixinha” o medo de novas surpresas pode ser o melhor cadeado.

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