quarta-feira, 28 de março de 2012

Valores, pesos e medidas...
(escrito em 29/01/2011)

Sempre valorizei tudo e todos à minha volta. Muitas vezes de maneira até exagerada...
Sempre amei muito exageradamente.
Sempre acreditei na bondade e na inocência com exagero.
Por meio século não houve análise minunciosa entre pesos e medidas para honra ao merito.
O certificado era totalmente entregue simplesmente.
É chegada a hora de uma análise minunciosa ante à valorização de "pessoas, coisas ou fatos".
Meio século passado traz essa cobrança.
A criança que habita na alma feito Peter Pan na Terra do Nunca grita para sobreviver.
Vivências dão amostras nada grátis de que a bondade e a inocência não imperam com toda excelência imaginada à volta na roda da vida ao soar do 51º toque.
Espera

Espera que a tua hora não é agora.

Espera, que depois daquela porta...
Espera que la te importa.

Espera que o sorriso dorme agora.

Espera que depois daquela porta...
Espera que la te importa.

Espera que a pressa dorme agora.

Espera que depois daquela porta...
Espera que la te importa.

Espera que esta chegando a hora.

Espera que depois daquela porta...
Espera que la te importa.

Espera.
Te zera.
Espera e cuida,
senão a agonia prolifera


 
Meu canto de dor

Disseram-me que "nas coisas de amor não exite doutor".
Num misterioso universo de cor, sabor e odor,
 bate um coração ritmado o tambor que treme com o lamento na voz do cantador.
Trazendo à minha face o rubor
Rasga o meu peito e meu coração se faz senhor.
Do universo sinto o seu calor, mas me congelo neste silencio enganador.
Neste canto mudo que de tanto amar se faz dor.


Sonhos e Esperanças


Sonho com teus sonhos que sonhas enquanto pregas 
Busco a negritude desse olhar, que de tão negros anoitece meus sonhos.
Espero com tuas esperanças, que esperas enquanto lutas.
Busco a luz desse sorriso, que de tão claro amanhece minhas esperanças
Minha avezinha

Na manhã pintada de  azul, 
o abrir da janela constata a  presença da grade que quadricula o cenário exercendo a sua função com convicção.
A tela de proteção se acende à minha frente e sem pressa nenhuma, a máquina do futuro começa a funcionar.
Minha avezinha me grita seu "Bom dia" do alto do galho metálico.
Uniformizada com seu avental branco, interrompe seu trabalho só para me lembrar que a liberdade existe.
Seu companheiro logo chega para que eu não me esqueça de amar também.
Ali traçam planos de voos nos meus sonhos e seguem felizes me desejando felicidades.
Quando ao fim do dia, sendo eu consumida por letras e bips... perdida entre a realidade da distância e a ilusão do virtual... ouço minha avezinha gritando insistentemente.
Ela vem me chamar a atenção para o descanso merecido.
Então entendo que Cora Coralina tem razão: " amanhã será melhor" .
A procura da poesia
 (escrito em 06/02/2009

Onde estás poesia minha?
Procuro-te noite e dia
Sinto-te hora perto, hora longe...
Onde estás poesia minha?
Dia quente, noite fria

Onde estas poesia minha?
Porque te esconde?
Entra dia segue a noite...
Onde estas poesia minha?
Imploro-te onde?

sexta-feira, 9 de março de 2012

No dia da mulher, Deus me deu o filho caçula


NEGUINHO

Ô neguinho sorriso de lua!
Neguinho a lua a te sorrir.
Ô neguinho brincadô de vida!
Neguinho a vida a te brincar.

Corre neguinho sob a lua que ta cheia,
Vem chegando, vem subindo
a pratear o teu brincar!

Corre neguinho sob a lua que ta cheia,
Vem chegando, vem subindo
a pratear o teu brincar!

Ô neguinho dos sonhos ao vento!
Neguinho o vento a te sonhar.
Ô neguinho brincadô de asa!
Neguinho asa a te voar.

Corre neguinho sob a lua que ta cheia,
Vem chegando, vem subindo
a pratear o teu brincar!

Corre neguinho sob a lua que ta cheia,
Vem chegando, vem subindo
a pratear o teu brincar!




segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

                                                 
                                                       Cantadeira
 
Água que corre no rio, vai pro mar
Leva a saudade e meu nego pra la.
Água que corre no rio, vai pro mar
Beija os pés do nego a abençoar.

Sou cantadeira, sou cantadeira, sou cantadeira 
A vida a cantar

Sou cantadeira, sou cantadeira, sou cantadeira 
A vida a cantar

Água que passa nas pedras "a imolar"
Crespa os cabelos do nego chuá
Água que passa nas pedras "a imolar"
Leva pra ele esse meu cantar
Sou cantadeira, sou cantadeira, sou cantadeira 
A vida a cantar

Sou cantadeira, sou cantadeira, sou cantadeira 
A vida a cantar

Água salgada que rola de cá,
Lembra as água que ele vai banhar
Água salgada que rola de cá,
Banha a lembrança do nego de lá
Sou cantadeira, sou cantadeira, sou cantadeira 
A vida a cantar

Sou cantadeira, sou cantadeira, sou cantadeira 
A vida a cantar
Água foi doce agora salga o mar
Como o doce do meu cirandar
Água foi doce agora salga o mar
Faz chover a saudade no olhar

Sou cantadeira, sou cantadeira, sou cantadeira 
A vida a cantar

Sou cantadeira, sou cantadeira, sou cantadeira 
A vida a cantar


domingo, 1 de janeiro de 2012





Caixinha de Surpresa
(Escrito em 25/02/2008 )

Encontrei no caminho que mais amo trilhar uma caixinha de surpresa.
Numa embalagem encantadora. Que miragem! Que viagem!
Quem seria capaz de adivinhar o que há no seu conteúdo?

Seria frágil? Seria inquebrável?
Leve ou pesado?

A tentação era de forçar uma abertura... Mas e aquela embalagem tão linda?
Não. Não queria perdê-la.

Com toda calma (quase toda)... No momento exato (julgava eu)...
Uma fenda aconteceu!
Sem prejudicar a embalagem que eu cuidara com tanto carinho, eu pude conhecer parte do seu conteúdo.
Que surpresa! Quanta beleza!
Não... não era o que eu esperava, mas muito mais do que eu precisava.

Que surpresa! Quanta beleza!
Como é sábia a natureza ao ocultar com toda sutileza,
Como pedra preciosa a sua maior riqueza.

Cada um de nós, é como uma caixinha de surpresa.
Muitas vezes nos surpreendemos com as pessoas que nos cercam.
Quando alguém revela-nos um grande segredo,
tirado lá do fundo da sua “caixinha”,
temos a oportunidade de perceber...
que nossa sabedoria é muito menor do que pensávamos.

Os olhos são espelhos da alma? São?
Por que então não conseguimos decifrar os grandes segredos
com um simples olhar?

Porque estão escondidos no fundo da “caixinha” de cada um.
Surpresas agradáveis e outras nem tanto.
Todas camufladas das mais diversas formas.

Sábia era a minha mãe Maria que dizia:
“_ Para dizer que se conhece alguém, primeiro tem que comer um saco de sal, sob o
mesmo teto”.

O saco de sal ao qual ela se referia, não era obviamente o de 1 kg e isso requer um
bom tempo. Mesmo assim, ainda corremos o risco de sermos surpreendidos com r
revelações capazes de nos tirar o chão.

O que temos de melhor e de pior se esconde em nossas entranhas até de nós mesmos.

Se assim não fosse, não nos surpreenderíamos tanto com o que somos capazes ou incapazes
de fazer.
Não ficaríamos tão perplexos diante da nudez da verdade de alguém.
Perplexidade gerada muitas vezes pelo preconceito.

Ousamos imaginar a essência das pessoas baseado no que esperamos delas.
Por isso nos surpreendemos quando não correspondem às nossas expectativas.

Decepções causadas por darmo-nos o direito de moldarmos mentalmente um ser que só
existe daquela maneira no nosso imaginário,que cria personagens capazes de nos amar e
odiar aos extremos.

Muito mais simples seria estarmos desarmados de deduções geradas pela nossa tão f
falha lógica. Tanto que por ela, nem a nós mesmos conseguimos conhecer minuciosamente.
Sem perceber abrimos nossa “caixinha” e do fundo “pula” a mais inédita reação.
Muito temos que aprender ainda sobre nós mesmos.
Bom seria se não precisássemos esconder consciente ou inconscientemente, nossas emoções.
Se conseguíssemos dizer tudo o que pensamos sem medo.
Se conseguíssemos ouvir um não com a tranqüilidade de quem reconhece o direito de quem o
diz. Se nos déssemos o direito de dizer não, quando não houvesse a menor condição de um s
sim ser assumido.
No “vira revira” da “caixinha” o medo de novas surpresas pode ser o melhor cadeado.

REINADOS
(Escrito em 06/06/2008)


Anoitece no Reino.
Vem surgindo por detrás do monte, imponente majestade – tão grande, tão br
anca... ofuscando o meu olhar.
Seu ma
nto bordado, repleto de pontinhos salientes brilhantes e tilintantes, cobrem todo esse reino. Maravilho-me com esta visão permitida pelo seu Criador. E a rainha lunar pára fitando-me.
Sob meus pés descalços, a grama leve e macia como pluma.
Atrevo-me a olhá-la insistent
emente, como que para perpetuar tal imagem.
Sinto o vento que sopra, ao seu comando.
Um ponti
nho cai do seu manto, num risco brilhante e me dá o direito a um desejo: "Desejo você".
No mesmo instante o horizonte se abre e numa nuvem azul, o vento me traz "você".
Sinto que estou perto de tê-lo finalmente.



A cor da esperança que sai do meu olhar, reflete no seu.
Com todo cuidado para não quebrar o encanto aproximo-me para tocar-lhe.

Percebo o manto real afastando lentamente. Seria para deixar-nos a sós?
A emoção retém minha respiração. Sinto a sua.

Fecho os olhos para saborear seu beijo, mas uma trombeta irritante antevem ao grit
o do servo que anuncia: "O Rei está vindo aí!"
Abro os olhos. Um clarão doura toda a paisagem real e cega-me:
Um novo dia amanhece

À Rainha Lunar
(Escrita em 18/06/2008 - 22:29 )
Oh bondosa Majestade!
Devo inclinar-me ante tanta beleza, tanta grandeza!
Devo louvar ao nosso Criador por tanto!
Brinco de caminhar lentamente para admirá-la por entre os galhos das árvores.

Fotografo-a mentalmente para decorar meus cômodos internos.
Eles que tanto necessitam da vossa claridade.

Minha amada Rainha, venho suplicar-vos:
que designe ao vosso fiel servo guardião uma importante missão.

Provavelmente uma das mais difíceis de todas as missões.
A missão de exterminar os dragões que nos impedem de sermos felizes.
São tão numerosos e aterrorizantes!

Somente um valente guerreiro como o vosso, poderá vencê-los.

Estão entre nós:
os Dragões da Violência, os Dragões da Corrupção, os Dragões da Impunidade, os Dragões do Incentivo ao Consumismo e tantos outros.
Agora mesmo! Vejo-me diante do resultado da ação fulminante do grande Dragão da Ignorância.
Ele teve a frieza de matar uma linda árvore, em meio a um santuário delas.

Quem dera, bela Rainha, tivesse o vosso fiel cavaleiro chegado a tempo de exterminar este malvado dragão.
Sou-lhe grata soberana Lunar, por ter me iluminado a alma poética,
que devido a um desses dragões que nos atormentam, impediu-me de poetar por um tempo.
Que pena sinto desses pobres seres que caminhando velozmente, na sua corrida pelo “ter”,não conseguem perceber a grandeza da vossa luz que banha-os incondicionalmente.
Um último pedido: suplico que me concedais.
Oh amada Rainha, tão cheia de luz e brancura!
Atinja nem que seja um único raio de paz o coração
dos que vos amam tanto quanto eu.
 
 
 
RETALHOS E CAQUINHOS DE MIM
(Escrito em 10/03/2009)
 
Com o tempo, junto "retalhos de mim". 
 
Com o tempo, componho com eles a canção da minha vida. 
 
Com o tempo, recolho caquinhos de mim. 
 
Com o tempo, crio o mozaico para cobrir a sombra da dor. 
 
Com o tempo, exponho-me pra voce... 
 
Com o tempo, virá voce dividir comigo o seu tempo. 
 
Com o tempo, a gente se faz parte... se faz presente. 
 
Dê-me seu tempo de presente... mas... com o tempo.